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Primeiros Socorros

PRIMEIROS SOCORROS EM BOVINOS DE LEITE

 

Em uma propriedade leiteira os animais são constantemente manejados. São ordenhados de duas a três vezes ao dia, conduzidos até a sala de alimentação e ao piquete, além da realização do manejo sanitário, onde são feitas vacinas durante o período de lactação. Todo esse manejo pode causar desconfortos ao animal, como o estresse, podendo deixá-los susceptíveis a diversas doenças.

 

Também se deve tomar cuidado em relação à alimentação dos bovinos leiteiros, que recebem além do volumoso, concentrados e aditivos. A utilização desses alimentos de forma incorreta pode trazer problemas aos animais.

 

Devido a estes fatores são comuns as situações onde o produtor se depara com um animal doente e não sabe o que fazer. Diante disso o mais indicado é a intervenção de um médico veterinário. No entanto, o profissional pode demorar para chegar à propriedade, o que pode ser fatal para o animal. Por isso algumas situações comuns e medidas a serem tomadas até a chegada do veterinário:

 

 

Hipocalcemia: popular “vaca descalcificada” ou “vaca caída”. Pode ocorrer nas vacas antes ou depois do parto.

O que fazer? Administrar cálcio no animal.

A dose indicada é de 500 ml. O ideal é que seja aplicada diretamente na veia do bovino. A vaca possui uma veia bem saliente – a mamária – localizada na barriga, próxima ao úbere. Caso o produtor não consiga encontrar a veia, também pode aplicá-la embaixo do couro.  O medicamento diretamente na veia tem ação mais rápida. Contudo é preciso ter cuidado e fazer a aplicação lentamente, pois o cálcio aumenta os batimentos cardíacos e pode levar o animal à morte.

 

 

Timpanismo: popularmente conhecido como vaca estufada.

É uma superdistensão do rúmen provocada pelos gases da fermentação, acarretando um acúmulo de gases e/ou espuma. O flanco esquerdo do animal – vazio da vaca – fica mais distendido.

 

O que fazer? O produtor deve administrar, via oral, doses de óleos vegetais – amendoim, soja e milho. Também pode usar uma sonda esofágica para eliminar os gases. Precisa ainda tomar cuidado para não agitar o animal e, se ele estiver deitado, levantá-lo para que não fique mais estufado.

 

Parto: Em partos difíceis a ajuda imediata pode definir a sobrevivência da vaca e do bezerro. A tração, algumas vezes necessária, deve ser cautelosa e nunca feita por mais de duas pessoas. Se o feto estiver mal posicionado não se pode puxá-lo. Primeiramente é necessário corrigir sua posição e só após tracionar. A vaca deve permanecer na sombra e de preferência em local limpo.

 

Caso o produtor constate que não conseguirá realizar o parto, deve imediatamente buscar ajuda de um profissional, caso contrário pode provocar a morte da vaca e do feto.

 

Teto Cortado: em caso de corte é importante conter a hemorragia, utilizando gaze ou pano limpo, além de gelo e água fria em abundância. Nunca utilize produtos como açúcar ou pó de café, pois eles só sujam o ferimento e dificultam o trabalho posterior. Nestas situações é indispensável a presença do médico veterinário para realizar a sutura do teto, que deve ser feita o mais rápido possível.

 

 

Tristeza Parasitária Bovina: popular amarelão ou tristeza. A doença causada pelos protozoários Babesia e Anaplasma é transmitida pelo carrapato e pela mosca do chifre. Os principais sintomas são febre alta, entre 40°c a 42°c, anemia oi icterícia – mucosa branca ou amarela – falta de apetite e queda brusca na produção de leite. É importante que o produtor saiba reconhecer os principais sintomas da doença, pois se não tratada logo no início pode provocar a morte do animal.

O que fazer? O tratamento mais indicado é feito através da aplicação de terramicina e pirofort, ou outros medicamentos que contenham o mesmo princípio ativo. Também é importante manter o animal em local com sombra e bem arrejado.

 

Edema de Úbere: pode ocorrer no pré e pós-parto. O úbere encontra-se extremamente inchado e dolorido, muitas vezes o animal apresenta dificuldades para se locomover, e às vezes percebe-se a presença de sangue no leite. Este sangue é proveniente de alguma veia de baixo calibre que se rompeu devido à distensão do úbere.

 

O que fazer? Para conter a hemorragia o produtor deve aplicar um medicamento à base de vitamina k (monovim k) que atua como anti-hemorrágico. Para reduzir o edema deve-se usar medicamentos diuréticos e antiinflamatórios (naquasone e simedine). Geralmente após o terceiro dia de tratamento o edema já está curado.

 

Retenção de Placenta: Popularmente costuma-se dizer que “a vaca nãos e limpou”.

É considerado retenção quando a placenta não for expulsa até 10hs após o parto. Quando isso ocorrer é necessário medicar o animal, pois há o risco de infecção uterina.

O que fazer? Neste caso temos que usar um medicamento para expulsar a placenta e outro para prevenir e/ou combater a infecção. Pode ser usado a prostaglandina (ciosin e sincrocio), ou estradiol (E.C.P ), e é indispensável a aplicação de um antibiótico de longa ação.

 

Considerações:

O produtor deve acostumar-se a verificar se o animal apresenta febre, pois se apresentar algo anormal está acontecendo. Com temperaturas acima de 39°c o animal já é considerado febril, mas para tanto deve se levar em consideração se ele permaneceu muito tempo exposto ao sol e se os dias não estão muito quentes.

Também é importante manter na propriedade uma mini farmácia com os medicamentos mais utilizados e lembrar sempre que, quanto antes diagnosticada a doença, maiores são as chances de cura.

 

Dept. Técnico da Comtul – Méd. Veterinário Marcelo Bordin Minetti